Emicrania un mistero!

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Da quella a grappolo, alla cefalea muscolotensiva, si fa presto a dire: mal di testa: sotto questa dicitura si nascondono moltissime forme.
Una delle più diffuse, e sicuramente tra le più temibilli, è l’emicrania: se presenta con un dolore pulsante che interessa un solo emisfero del capo e, se non si assumono medicinali, può durare da 4 fino a 72 ore!

 

Secondo recenti indagini colpisce circa il 15 per cento della popolazione , in prevavalenza le donne fino a due o tre volte più degli uomini.

 

Per un lungo tempo è stata considerata un disturbo di origine vasisanguigni del cervello, dilatandosi, sono in grado di scatenare la sensazione di male allá testa. Ma la cosidetta teoria vascolare oggi è sostanzialmente abbandonata. Una ipotesi più acreditate, chi soffre di emicrania avrebbe un sistema nervoso più vulnerabile nei confronti dei cambiamenti rapidi, che possono essere sia interni, sia esterni all’organismo.

 

Cosa può scatenare un attaco:

  • Fattori fisiologici e psicilogici – Stress físico o psicológico, post-stress (week-end e vancanze) ansia, paura, depressione.
  • Fattori ambientali – Flash, luci intermittenti, modificazioni climatiche, odori, variazioni d’altitudine.
  • Farmaci/sostanze d’abuso – Nitro-derivati, reserpina, ranitidina, estrogeni, cocaína, marijuana, contraccettivi orali
  • Fattori alimentari – Álcool, gluttammato monosodico, aspartame, cioccolato, formaggi
  • Sonno – Mancanza di ore di sonno o sonno eccessivo
  • Fattori ormonali – Ciclo mestruale, ovulazione

 

Un’altra ipotesi, l’emicrania sarebbe causata da alterazione di tipo nervoso, di cui gli scompensi vascolari sarebbero una conseguenza.
A parte lê diverse interpretazioni sulle origini, ciò che provoca l’insorgenza del dolore è certo: si trata di una momentânea liberazione tra cui la sostanza P, le prostaglandine (molecole infiammatorie) e la serotonina, che è un neurotrasmettitore, cioè una molecola capace di trasferire i messaggi cerebrali.

 

Terapie efficaci – anche senza ricetta

 

È evidente che una terapia farmacológica, per essere considerata davvero efficace, deve essere in grado dia gire tempestivamente, bloccando sul nascerei il dolore. Di prima scelta sono i farmaci antinfiammatori non steroide (FANS).

 

Secondo le linee guida internazionali, si passa a farmaci venduti con prescrizione medica, come per esempio i Triptani – si tratta di farmaci potenti ma anche meno tollerabili (e próprio per questo è importante la ricetta e sopratutto il monitoraggio da parte di un medico).
Tre recenti studi scientifici hanno dimostrato che la formulazione di acido acetilsalicilico in compresse effervescenti ha un’efficacia, a due ore di distanza dall’assunzione, símile a quella dei Triptani. Inoltre, l’acido acetilsalicilico consente la reduzione anche dei considdetti sintomi di accompagnamento, come per esempio náusea, vomito, fastidio, fotofobia i fonofobia.

 

Cosa da fare

  • Consultare il medico scpecialista
  • Mantenere una sana ed equilibrata alimentazione, ricca in frutta e verdura limitando l’assunzione di proteine e grassi animali. La dieta mediterrânea insegna a preferire l’olio d’oliva, che aiutano a regolare il livello di colesterolo nel sangue e la pulizia delle arterie.
  • Evitare di fare attività física a temperature basse o quando fa caldo e umido. L’ideale è di mattina o nel tardo pomeriggio.
  • Fare lunghe passeggiate – migliora la resistenza alla fatica e stress.
  • Cambia ritmo al tuo respiro!

A importância do Dinamismo Psíquico no entendimento do Comportamento Alimentar

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O comportamento alimentar é extremamente complexo e transcende a ingestão de alimentos. A fome é a expressão biológica da necessidade de regular o balanço energético e obedece a uma necessidade fisiológica. O apetite está ligado ao psíquico e regido pela necessidade do prazer. Não toma como referencial o suprimento destas necessidades. O apetite busca prazer, satisfação libidinosa.

 

Observando o comportamento alimentar sob este ângulo, a ingestão na espécie humana não está vinculada estritamente à fome, enquanto alimento. Assim é possível comer sem ter fome e beber sem ter sede. Ao longo das aulas foi possível refletir sobre este comportamento peculiar ao ser humano, que tem uma vida psíquica simbólica e perceber que a ingestão alimentar cumpre duas funções importantes para o equilíbrio geral do ser humano: fonte de energia e prazer, função tanto biológica como psicológica.

 

A obtenção do prazer, um dos motores do funcionamento psíquico e do comportamento humano com clareza envolve a simbolização e o significado do que a experiência tem para o indivíduo.

 

O comportamento do homem é modulado não só por instintos, mas também por este “simbólico”, o que explica que o comer não se dá de forma padronizada para todos os homens. O comer é atravessado pelo processo de simbolização e, conseqüentemente terá significado e função na economia psíquica diferentes para cada um, constituindo-se num comportamento com peculiaridades singulares, diferenciadas para o mesmo indivíduo nas diferentes fases de sua vida.

 

Por um viés da teoria psicanalítica, penso que a ingestão alimentar é uma das células do desenvolvimento psíquico. De acordo com várias exposições e estudos psicanalíticos apontam que paralelamente ao desenvolvimento físico dar-se-á o desenvolvimento psíquico como se percebe em comentários alusivos nas obras de Freud (O mal estar na Civilização – 1930) e Spitz (O primeiro ano de vida – 1979). Winnicott (O desenvolvimento emocional primitivo – 1945) afirma que cada função somática, principalmente as ligadas aos comportamentos que garantem a sobrevivência do ser humano, será articulada à rede simbólica, resultando na articulação de um “self” integrado e reconhecido.

 

Ora, os mundos psíquicos, simbólicos, que será a base para a aquisição da linguagem e do pensamento, desenvolver-se-á partindo de um estado inicial de indiferenciação, passando por estruturações sucessivas de processos mentais que emergem de protótipos fisiológicos. Isso significa que o bebê não tem ainda um mundo completamente formado que lhe possibilite perceber-se diferenciado e separado do mundo externo. Graças a sua imaturidade psíquica nesse momento tão precoce da vida, sentirá desconforto, desprazer, etc. e reagirá indiscriminadamente da mesma forma: chorando. Daí a importância do meio ambiente externo a ele que possa identificar essa necessidade e a satisfaça, com o objetivo de resgate das sensações de bem estar. Um bebê com fome tem uma experiência desagradável e a mãe, quando o alimenta, livra-o desse desconforto e lhe traz uma vivência de satisfação. Experiência, essa, que fica registrada numa representação psíquica, um traço mnemônico, criando a associação entre amamentação e prazer. Essa memória vai organizando sua percepção da realidade e também desenvolve a possibilidade de suportar esperar a satisfação. Mas o bebê que não chega a sentir tal necessidade, talvez por que a mãe não o satisfaz como hipótese poderá ter falhas no processo das representações mentais.

 

Percebo que, se existem estas representações que permitem formar uma cadeia associativa, será possível refletir sobre os próprios problemas. Se não existem, não há recursos para decodificar e equacionar em palavras as tensões psíquicas, como a angústia, o  que deixa triste. Sente-se um desconforto que não é possível nomear e então fugindo desse desconforto busca-se uma fonte de prazer. O comer pode ser essa forma de prazer buscada para escapar dessa experiência desagradável e substituí-la. Esse mecanismo de busca e alívio de tensões psíquicas por meio da ingestão alimentar, denominado de compulsão faz vivenciar uma situação desconfortável, e assim como o bebê chora até que a mãe o alimente, o Compulsivo alimentar confunde sensação de fome com sentimentos e emoções.

 

Notamos hoje, principalmente nos hospitais uma categoria distinta na Compulsão Alimentar – categoria periódica que se caracteriza por episódios recorrentes, pelo menos duas vezes por semana durante 6 meses, associados a indicadores subjetivos e comportamentais de prejuízo no controle e sofrimento significativo relacionado aos ataques de hiperfagia.

 

Acompanho alguns casos onde os indicadores de perda de controle estão entre: comer grandes quantidades de alimento, muito rapidamente, mesmo sem fome, o “comer” sozinho, o “comer” escondido dos outros, sentir repulsa e culpa seguida de depressão após a ingestão alimentar excessiva. Claro está que para este diagnóstico, verificamos a presença de sentimentos desagradáveis durante e após os episódios de excesso alimentar, pois além da dismorfia corporal, depressão, ansiedade e sentimentos inespecíficos de tensão são identificados como fortes ativadores desta ação.

Em alguns momentos descrevem-se quadros de “torpor” ou de estar “aéreo” nos episódios. Indivíduos com esse padrão alimentar apresentam freqüentemente autodesprezo, repulsa a forma corporal, preocupação somática em suas relações interpessoais.

 

Existem evidências de que o Transtorno da Compulsão alimentar periódica pode ser um elemento que contribui para a obesidade em indivíduos suscetíveis, sendo 1,5 vez mais freqüentes em mulheres que entre os homens.

 

Pacientes com compulsão alimentar apresentam mais transtornos psicopatológicos, pois aqui se encontra a associação da compulsão e obesidade com a depressão maior.  Um estudo realizado por Yanovski e colaboradores indica 54% dos obesos com compulsão alimentar apresentando depressão maior, enquanto obesos sem compulsão, essa freqüência é de apenas 14%. Fatores como condição socioeconômica, predisposição tanto para a depressão como para a obesidade pode coexistir no genoma de algumas pessoas, além do estresse que é apontado como um fator que contribui para alterações dos mecanismos tanto fisiológicos como psicológicos. Creio que uma das conseqüências do estresse é o fato de criar condições psicológicas desfavoráveis para a manutenção de hábitos como adesão a dietas saudáveis, atividade física e outros elementos indispensáveis para repensar o transtorno. Com certeza as alterações fisiológicas, nesse caso, reportam-se as alterações dos níveis de cortisol, associadas ao aumento da obesidade abdominal, entre outras.

 

Considerações finais

Compreendem-se as dificuldades de adesão ao tratamento desses pacientes e fica claro que a dificuldade em aderir à dieta liga-se ao fato de que a ingestão alimentar tem importante função na manutenção do equilíbrio psíquico, sendo a restrição alimentar algo que terá impacto direto na vida emocional.

 

A depressão, por seu lado, também desfavorece a adesão ao tratamento, entre outros motivos, a auto-estima rebaixada e os sentimentos de impotência e de fracasso determinam a desmotivação geral com o autocuidado.

 

Suportar, essa palavra acompanha a ansiedade, a angústia, a dor em esperar o resultado, pois exige o controle de uma fonte importante de prazer, mas essa por si só não permite a solução do problema.

 

Penso que a indiferenciação eu – outro gera sentimentos de raiva em relação ao profissional, que encarado como extensão de si próprio, ao impor regras e formas, estaria desencadeando uma frustração ainda maior em vez de compartilhar as experiências. Ainda que para o profissional seja uma situação limítrofe, porque pode gerar uma situação de impotência frente às expectativas é preciso construir um outro cenário propício para intervenção.

 

Buscar uma relação infantilizada entre as verdades e mentiras criadas pelo paciente, a obediência às ordens, afinal surge na eficácia do tratamento mecanismos de defesa inconscientes e não voluntários. A mentira poderá ser entendida como negação, uma defesa contra a angústia de não ter controle sobre “o comer”.

 

É importante considerarmos os fatores psicológicos presentes na síndrome metabólica. Portanto ter uma visão mais abrangente para reverter essa situação é condição sine-qua-non para destravar essa imobilização psíquica e refletir com o paciente sobre as dificuldades e possibilidades em redirecionar e reposicionar seu tratamento, adequando fatores importantes, cenário, projeção e expectativas reais onde o paciente não se sinta irritado por sentir-se enganado ou traído.

Bibliografia complementar 

Freud S. O Mal Estar na Civilização (1930): Imago; 1974.

Kahtalian A. Obesidade: um desafio. Artes Médicas; 1972.

Spitz RA. O primeiro ano de vida: Martins Fontes Editora; 1979.

Brunch H Psychiatric aspects of obesity in children. Am J Psychiatr. 1943; 99:732-6

 

Marco Antonio Marchioli Lopes, M.D, Ph,D.

Neuroimagem do Transtorno de Humor Bipolar: Aplicações Clínicas

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  • Principais tópicos
    A neuroimagem química, estrutural e funcional como uma ferramenta à disposição de profissionais da área Psi e correlatas: limitações e resultados no tratamento de Transtorno de Humor Bipolar (THB);
  • Investigação do THB por meio das técnicas convencionais de imagenologia cerebral;
  • A inserção da neuroimagem onde tradicionalmente a fala e a linguagem, além dos psicofármacos, são elementos dominantes e centrais;
  • Mudanças na prática da clínica psicopatológica em pacientes diagnosticados como bipolares a partir da neuroimagem;
  • A resistência dos profissionais da área de psicopatologia como possível obstáculo para o estabelecimento de um novo protocolo que inclua a neuroimagem como suporte para indicações terapêuticas;
  • Considerar a aplicabilidade da neuroimagem nos diagnósticos de psicopatologias, levando em conta as limitações dos métodos.

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*Marco Antonio Marchioli Lopes é Pós-Graduando em Psicopatologia pelo NAIPPE/USP – Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP); Doutor em Neurociências pela Michigan State University (EUA); Neuropsiquiatra pela Università Degli Studi di Milano – Bicocca (Itália); Médico colaborador do Neuroimaging Research and Cognitive Therapy for Bipolar Depression Center do Strong Memorial Hospital – Rochester (EUA); Neuroscopista convidado do Hospital Sírio Libanês, São Paulo (BR); Membro da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC).

 

Resumo


O Transtorno do Humor Bipolar (THB) caracteriza-se por alternâncias do humor no indivíduo, que transitam entre períodos maníacos/hipomaníacos, estados de euforia à depressão leve, moderada e grave, resultando em prejuízos significativos no âmbito biopsicossocial. Associa-se a uma morbidade significativa em termos de risco de abuso de drogas, suicídio, hospitalização psiquiátrica e perda da produtividade (Pliszka, 2004; DSM-IV).
Nos últimos cinco anos o THB tornou-se alvo de grande interesse em decorrência à superexposição do tema nos meios de comunicação, o que lhe conferiu maior notoriedade resultando numa demanda de público desejoso por esclarecimentos e informações precisas. É fato recorrente que, ao identificar-se com os sintomas da patologia, o indivíduo se veja diante de uma atração irresistível pelo quadro sindrômico da mesma. Surge, então, a necessidade de “ter um nome” para aquilo que o perturba ou que aflige algum membro familiar. Além disso, a presença de sujeitos que foram excluídos de seu convívio social por apresentar características atípicas, melancólicas, catatônicas e intolerantes (quadro indicativo do portador de THB), também contribuiu para o descortinamento de outros casos.
Esta revisão aborda recentes avanços das pesquisas sobre o THB, postulando uma ampliação do repertório clínico-terapêutico que inclua a neuroimagem como um instrumento e agente de potencial utilidade na investigação desta psicopatologia. O objetivo é instigar o corpo clínico da área Psi a fazer uso de ferramentas tradicionais de investigação neurológica (no caso, a neuroimagem), desencadeando uma práxis acrescida de informações complementares para embasar o diagnóstico da disfunção; além disso, colaborar no efetivo aprimoramento terapêutico para o quadro de pacientes portadores de THB. Alguns estudos foram revisitados a fim de corroborar a proposição de que é possível identificar quadros como mania, hipomania, estados mistos, depressão bipolar e ciclagem rápida, desde a infância até a idade adulta, baseando-se em elementos fornecidos pela neuroimagem.
À luz da neuropsicobiologia, o autor focaliza a importância da neuroimagem como subsídio ao diagnóstico e sua integração ao tratamento com psicofármacos, além da sua influência terapêutica de acordo com a visibilidade orgânica e estrutural, a atividade bioquímica e as variáveis psicológicas do inconsciente.
Advém de tal proposta uma discussão prática nas áreas envolvidas (psiquiátrica, psicológica e psicanalítica), sem prejuízo de eliminar os referenciais de cada uma, destacando o propósito de interrelacioná-las e identificar um ponto de convergência onde a neuroimagem poder-se-á considerar inclusa no protocolo clínico do diagnóstico do THB.

 

Marco Antonio Marchioli Lopes, M.D, Ph,D.

A Integração Fundamental entre a Psicoterapia e a Psiquiatria nos novos tempos. Uma visão sobre o normal e o patológico.

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Discussões sobre a loucura e a normalidade são infindáveis, uma vez que rótulos, desabafos, conveniências dizem que a atenção psicológica e o tratamento psiquiátrico são solicitados sempre que uma manifestação psíquica incomoda o sistema sócio-cultural vigente e/ou faz sofrer o indivíduo como vimos em aula e discutimos atentamente através da linha histórica.

Ao falarmos sobre a loucura encontramos discursos filosóficos, antropológicos, sociológicos, policiais, forenses, incluindo os psiquiátricos.

Popularmente ou culturalmente, o problema da doente mental, resume-se à alguém cujo comportamento difere dos demais e é capaz de provocar algum grau de ansiedade e constrangimento social.

A reclusão e tratamento asilar das pessoas consideradas alienadas num hospício torna-se, então, uma necessidade social, tão mais solicitado quanto maior o grau de estranheza produzido pela pessoa em seu meio. Para o paciente causador de constrangimento e estranheza nem sempre se considera seu sofrimento, como acontece com as internações em outras especialidades médicas.

A exclusão do doente do mundo dos normais atem-se, quase exclusivamente, ao aspecto comportamental. Aqui, a unidade de observação é o ‘ato’ do paciente. Quem sabe  não acaba atendendo muito mais a sociedade e a família que o paciente propriamente dito?

Pessoas seriam internadas não apenas em decorrência de seus atos mas, sobretudo, em razão de seus sofrimentos e suas limitações?

E através dos diversos temas apresentados, exposições e textos comentados foi possível refletir que, enquanto a sociedade tem uma preocupação centrada exclusivamente no ato, é necessário preocupar-se, também, com os sentimentos.

A maneira peculiar de viver e de sentir a vida, cuja compreensão evoca uma outra unidade de observação que não o ato; trata-se da personalidade.

Sanidade do indivíduo de acordo com seu comportamento, de acordo com sua adequação às conveniências sócio-culturais provoca choques contundentes entre estas as maneiras de entendimento da patologia.

A existência da doença mental é fato para a psicopatologia, contudo não é possível assumir uma cegueira científica que deixa de revelar a importância sobre áreas próximas da medicina que tratam dos conteúdos do indivíduo.
O paciente  pode apresentar uma alteração na qualidade do ser, ao lado de uma alteração na quantidade do fenômeno psicopatológico.

Assim é perceptível que alterações psicopatológicas ou os desvios da normalidade acontecem tanto do ponto de vista qualitativo como quantitativo, freqüentemente ambos e simultaneamente. Nos sintomas de angústia e depressão, por exemplo, que estes sentimentos podem aparecer em quantidade que ultrapassa os limites considerados normais, assim estas ocorrências passam a ser consideradas patológicas – quantitativas , tanto quanto passam a produzir sofrimento.

Penso não ser cabível afirmar com obviedade que definir um cérebro normal, um pulmão normal, uma função gastrointestinal normal é estar isento de doença e portanto considerar um indivíduo plenamente feliz.

É discutível aparecer a normalidade na ausência de sentimentos desagradáveis, como o medo, a culpa e a ansiedade, juntamente com uma qualidade valorativa, a responsabilidade.

A dicotomia entre mente e corpo até, recentemente, era bastante retrógrada e geradora de conflitos e angústias, para profissionais e leigos. Na prática  diária, observo, agora com maior atenção, que muitos pacientes ainda se confundem com os limites tênues existentes entre as questões somáticas e as mentais.

Há resistência entre colegas psiquiatras em encaminhar seus pacientes aos psicólogo e psicanalista – e vice-versa –  o que é muito deletério à ação terapêutica holística que esses quadros requerem.

Ouvimos, repetidamente, pessoas que se dizem saturadas, confusas e exaustas frente às opressivas exigências, aos papéis que mudam e à pressão sem precedentes do novo tempo.

Nos dias de hoje, a psiquiatria e a psicoterapia estão enfrentando novos desafios, assuntos complexos e inquietantes que tornaram muitos dos antigos modelos e técnicas obsoletos. As pessoas estão tendo que caminhar em meio a um terreno desconhecido e no qual todos os antigos papéis e valores – assim como as tradições – , perderam sua aplicabilidade, tendo eles que serem substituídos ao longo desse caminho.

Questões como o relacionamento via Internet, casamento a longa distância, adoção de crianças por casais homossexuais, a possibilidade de mudar a genética dos filhos, violência contra a mulher aumentada,  dependência e uso abusivo de drogas, estresse diário descomunal, infertilidade e quadros da senescência, pelo aumento da longevidade desafiam a normalidade e  os nossos conceitos mais preciosos.

Conceitos sociais que mudam rapidamente requerem novos posicionamentos no que concerne a uniões, reproduções, amor, profissão e mudanças vinculares, entre outros.

Na prática, a adaptação   aos conceitos – acompanhados de uma percepção e entendimento não preconceituosos , que se refletem em um comportamento adequado, perante o novo mundo, é extremamente difícil. Requer determinação, paciência e flexibilidade na busca de uma mudança global do psiquismo.

Precisamos reconsiderar o que é normalou anormal, natural ou não natural. A questão da psicoterapia não é tão somente metodológica, mas, ideológica, assim como a questão em psiquiatria não é somente medicamentosa, mas contextual.

E perguntas brotam em nossa mente:

  • Existe um limite para qualquer tipo de comprometimento?
  • Como é possível competir com as fantasias virtuais?
  • Casais de homossexuais enfrentam questões complicadas: quais são as regras, as obrigações e as responsabilidades na co-parentalidade?
  • Em caso de separação, quem tem direito a custódia?
  • filho pode levar a namorada para dormir em casa?
  • Liberamos ou não a maconha?

Para que os profissionais da área de saúde acompanhem as pessoas, atualmente, é necessário que as ajudem a olhar além de seus mundos particulares, ou seja, para as forças sociais externas que atualmente estão determinando o seu mundo.

Reordenar as idéias é fundamental, pois hábitos e fundamentos inflexíveis podem facilmente desorientar as pessoas, e propiciar novos tipos de preconceitos e alienação. Faz-me pensar que nem sempre o que é habitual trata-se do normal ou ainda, nem sempre o excepcional é patológico.

A Neuroimagem utilizada como auxílio para desvendar o tratamento Clínico do Transtorno do Pânico.

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Episódios conhecidos pelos médicos nos séculos passados já descreviam em seus conteúdos, vertigens, sudorese, ataques súbitos de ansiedade sufocante e palpitação, geralmente acompanhados por uma necessidade premente de evitar determinadas situações e situações e sentimento de incapacidade.

Naquela época eram comuns, devido à concomitância de tonturas semelhante a vertigens, esses sintomas com freqüência serem atribuídos à disfunção do ouvido (labirintopatia).  Mas Freud já havia descrito que “em casos de agorafobia etc., em geral lembramos de um estado de pânico; e o que os pacientes realmente temem é a repetição de um ataque sob aquelas condições especiais das quais eles acreditam não poder escapar.”

Desta forma o pânico que o indivíduo viveu é uma experiência exclusiva e intransferível.

Descobertas farmacológicas, baseadas na resposta da imipramina, levaram à criação de uma nova categoria ( o transtorno do pânico) e à redefinição do conceito de agorofobia , termo que vem do grego (agora = mercado/fobia = medo) – antes apenas referida apenas como medo de espaços fechados foi ampliado, considerando que é mais bem expressado pela ansiedade do indivíduo de estar em locais ou situações em que teria dificuldade ou embaraço, para escapar.

Existem situações, porém em que a esquiva a certo enfrentamento pode ser explicada por outro transtorno e, nesse caso, atitude deixa de ser considerada agorafóbica.

Na tentativa de esclarecer as definições pensemos que Ataque de Pânico acontece num período que dura em média dez minutos, no qual surge de maneira súbita apreensão intensa, temor ou terror, freqüentemente associado com sentimentos de catástrofe iminente. 

É fundamental perceber que durante esses episódios, estão presentes sintomas como falta de ar, dor ou desconforto torácico, “medo de ficar louco”, palpitações ou de perder o controle. 

Indivíduos com ataques de pânico inesperados, geralmente descrevem o medo como intenso e costumam dizer que sentem como se estivessem prestes a morrer, perder o controle, ter um ataque cardíaco ou AVC. 

Muitos se queixam também de um desejo urgente de fugir de onde quer que o ataque esteja ocorrendo. A falta de ar, o rubor facial também pode aparecer durante o ataque, principalmente naqueles associados a situações relacionadas à ansiedade social e a capacidade de desempenho.

 
Compreensão necessária:
 
A ansiedade característica dos indivíduos portadores de ansiedade generalizada difere dos sintomas de pânico, pois nesse último é mais intensa e sua gravidade, geralmente maior, levando a pessoa ao desespero.
 
Penso ser crucial determinar a circunstância em que o ataque de pânico aconteceu, uma vez que portadores de outras formas de ansiedade como fobia social, fobia específica e estress pós-traumático também podem sofrer ataques de pânico.
 
Considerando a classificação da Americam Psychiatric Association, de acordo com o contexto o ataque de pânico pode ser analisado em três subtipos:

 A)   Inesperados (não evocados), nos quais o início do episódio não está associado com nenhuma situação específica – como costuma dizer os pacientes – “vêem do nada.”

B)   Ligados a situações específicas (evocados), nos quais o ataque de pânico ocorre logo após a exposição ou antecipação de uma situação específica qualquer. Por exemplo, ver uma cobra no jardim pode desencadear um ataque de pânico imediato. 

C)   Predispostos pela situação, que tendem mais a ocorrer na exposição a um agente evocador ou um situação especial e não ocorrem necessariamente após a vivência da situação. Por exemplo, quando o indivíduo está dirigindo. Existem momentos em que a pessoa dirige e nada apresenta, após dirigir durante meia hora, surge o ataque de pânico.

Sinais de alerta:
  • Sudorese
  • Tremores
  • Palpitação ou ritmo cardíaco acelerado
  • Falta de ar ou sufocamento
  • Sensação de asfixia
  • Dor ou desconforto no peito e abdômen
  • Náusea
  • Tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio
  • Desrealização (sensação de irrealidade)
  • Despersonalização (distanciamento de si mesmo)
  • Calafrios ou ondas de calor
  • Medo de perder o controle ou “enlouquecer”
É preciso distinguir entre Ataque de Pânico e Transtorno de Pânico (comumente chamado de síndrome de pânico).
 
Perceba que o Transtorno do Pânico é a presença de ataques de pânico recorrentes e inesperados, seguidos por pelo menos um mês de preocupação persistente acerca de ser vítima de outro ataque. O portador do Transtorno do pânico é dominado de forma duradoura pelo pensamento incessante a respeito das possíveis implicações ou conseqüências dos ataques.
 
É possível que ataques de pânico possam ocorrer devido a efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por exemplo, intoxicação com cafeína) ou de uma condição médica, como o hipertireodismo onde existe um mau funcionamento do organismo.
 
 
Freqüência e regularidade:
 
Alguns indivíduos os experimentam com certa regularidade (uma vez por semana, por meses seguidos). Outros citam surtos breves de ataques mais freqüentas (diariamente, por uma semana) ou ainda acometidos menos freqüentes (dois por mês durante muitos anos).
 
É típico dos pacientes com transtorno de pânico apresentar preocupação a respeito das implicações ou conseqüências dos ataques. Apesar de repetidos exames e garantias médicas, eles podem permanecer temerosos e não se convencer de que não são portadores de uma enfermidade grave (Uma das perguntas mais freqüente que ouvimos em nossos consultórios é “você tem certeza de que não estou com um tumor no cérebro?). Os indivíduos apresentam um quadro emocionalmente fraco. 
 
 
Metanálise
Estudos multicêntricos da OMS mostram que há forte associação entre depressão e transtorno de pânico. Esses estudos apontam que entre 30% e 60% de pacientes depressivos tem secundariamente transtorno de pânico.
 
Um dado curioso e dirigido aos especialistas é que cerca de 70% dos pacientes tem suas crises de ataque de pânico no período noturno. Trabalhos de acompanhamento clínico em longo prazo demonstram que pânico  e doença bipolar apresentam associações freqüentes.
 
 
A importância da Neurobiologia das crises
 
Por meio da Neuroimagem, técnica desenvolvida para alta definição e introdução de substâncias químicas durante pesquisas permitiram investigar o Transtorno de Pânico. Os fatos permitiram comparar a atividade cerebral em situações distintas: em repouso e durante o ataque de pânico. Entretanto deparamos com algumas dificuldades como registrar de neuroimagem durante as crises devido ao pavor dos pacientes de permanecer na câmera de análise (PET SCAN).
 
Entretanto a análise do fluxo sanguíneo revelou assimetria anormal na distribuição de sangue entre os dois hemisférios: 
  • Nos portadores de pânico, mostrou-se bastante acentuada no pólo temporal (hipocampo) do hemisfério direito. Tal assimetria estava presente em sete pacientes com pânico e ausente em seis indivíduos normais do grupo de controle. Foi o primeiro relato de um transtorno, até então tido como puramente emocional, associado a uma nítida anormalidade metabólica no cérebro. O aumento do fluxo indica elevado nível de atividade celular na região.
Portanto os melhores resultados são obtidos pela combinação de medicamentos e terapia, uma vez que exista a prevalência de estudar o caso neurobiologicamente, quando então o indivíduo poderá ter um tratamento adequado ao caso apresentado e que deverá ser discutido entre os profissionais envolvidos na área da saúde mental.
 
Claro está que, ainda são incipientes os resultados obtidos em estudos e experiências, para fundamentar a aplicação clínica do imagenologia como protocolo. Entretanto este conceito é o foco dos pesquisadores e neurocientistas que buscam resultados viáveis para orientar formas de tratamento que mantenham a integridade do diagnóstico e a consciência do tratamento.
 
Referência e revisão aos artigos publicados na Università di Napole e Universidades Americanas de Nova York e Michigan, 2006/2007
 

A neurociência aplicada no diagnóstico psiquiátrico.

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Entendemos, cada vez mais que os transtornos mentais afetam o circuito cerebral como um todo, diferentemente de doenças neurológicas como Alzheimer, caracterizada por um problema grande e específico no cérebro. Para que possamos fazer um diagnóstico mais preciso na psiquiatria é, a cada dia, fundamental partir dessas disfunções no circuito do cérebro. Porém, não é possível fazer isso até termos uma ideia melhor de como essas disfunções estão ligadas às doenças mentais.

Apesar do DSM, é fundamental pensar nos diagnósticos no futuro, desta forma as pesquisas baseada em critérios neurocientificos nos revelam o que acontece no organismo que leva a determinado transtorno, e a partir disto desenvolvem-se novas formas de diagnósticos.

É fundamental pensarmos em tratamentos dos transtornos mental como o tratamento de câncer, por exemplo, onde hoje há alvos específicos para tratar cada câncer e isso é o que a psiquiatria necessita.

Certo de que não sabemos o suficiente, já identificamos certas disfunções cerebrais relacionadas a algumas doenças mentais, como a esquizofrenia. Então o desafio é identificar grupos que apresentam as mesmas disfunções e encontrar um tratamento específico para eles, usando evidências científicas para determinar estes grupos, em vez de forçar categorias de doenças.

Pensamos assim, no DSM precisamos ter um determinado número de sintomas para ter depressão, independente de quais sinais sejam esses. Pelo critério da neurociência aplicada à psiquiatria prestamos mais atenção na real dificuldade que cada sintoma representa e pontuamos que cada sintoma deve ser tratado isoladamente, por exemplo dormir mal pode ser um sintoma da depressão, mas isto pode causar outros problemas como a desregulação cerebral; então é preciso tratar o problema de sono em si, além de tratar a depressão instalada.

A neurociência prevê encarar as doenças psiquiátricas de uma forma distinta e que será aplicada no futuro. Em vez de dizer que o paciente tem stress pôs-traumático, depressão, ansiedade será dito que o seu problema, por exemplo, é uma disfunção nos circuitos cerebrais que regulam as emoções. Perceberemos que grupos de genes regulam ou afetam a estrutura das sinapses, que a combinação desses genes clarificarão a doença e não mais a soma de sintomas. Talvez isso nos traga ideias diferentes sobre esquizofrenia ou Transtorno bipolar.

 

Neurociência e Fenomenologia: Descrição e sistematização do funcionamento psíquico a partir da Psicopatologia baseada nos fundamentos da fenomenologia.

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Introduzione

L’interesse per le fenomeni e i modelli neurodinamici nasce dall’osservazione che i cervelli delle specie superiori sono sedi d’attività elettriche oscillatorie di natura e funzioni non ancora ben capite. Nel paradigma neurodinamico rientrano i comportamenti delle reti neuronali che si presentano all’osservazione microscopica come oscillazioni delle frequenze di scarica dei neuroni e come attività elettroencefalografica (EEG).

 

Questo paradigma non è in contrasto com gli assunti principali di quello connessionista, in particolare con la teoria del rinforzo sinaptico ipotizzata da Hebb mezzo secolo fa e confermata in tempi più recenti dalla scoperta del potenziamento a lungo termine (long-term potentiation).

 

Anzi, esso richiede un ampliamento delle ipotesi connessioniste, poiché si conoscono anche fenomeni di depotenziamento a lungo termine (long-term depression) e di rinforzo o indebolimento delle connessioni sinaptiche (short-term potentiation, depression ecc.) di varia durata temporale. Esso impone semmai il trasferimento dei concetti connessionisti ad un livello descrittivo più complesso, di cui manca tuttavia una completa comprensione. Secondo il paradigma neurodinamico il reclutamento di un ricordo da parte d’un messaggio evocatore dovrebbe spiegarsi non tanto come un processo inizializzato da un insieme di stimoli esterni e rapidamente convergente verso un attrattore stabile d’una rete nervosa multistabile, quanto piuttosto come un processo oscillatorio convergente verso un ciclo limite di una rete nervosa dotata di numerosi attrattori dinamici. Tuttavia, i fenomeni neurodinamici non riguardano solo il funzionamento della memoria, ma anche, ad esempio, l’integrazione e la selezione di pattern sensoriali mediante la sincronizzazione delle scariche neuronali, la formazione temporanea di reti di comunicazione temporanea tra le diverse parti del sistema nervoso centrale e probabilmente altri importanti processi non ancora scoperti. 

 

Discussão

O avanço da neurociência, a psiquiatria seria incluída na neurologia, e a psicanálise, classificada como um ramo das ciências humanas, ocupar-se-ia, por meio de seus postulados teóricos, em observar a dinâmica dos conflitos intrapsíquicos e sua relação com o mundo externo, além de intervir nesta. O ensino da psicopatologia deve se estender aos profissionais que atuam na área de saúde mental, possibilitando também uma linguagem comum entre os membros de uma equipe multidisciplinar.

 

O termo fenômeno, desde sua origem grega, tem um sentido ambíguo, oscilando entre a idéia de “aparecer com brilho” e a idéia de, simplesmente, “parecer”. A fenomenologia, termo criado no século XVIII pelo filósofo Lambert, designa o estudo puramente descritivo do fenômeno tal qual se apresenta nessa experiência, denominando-a de “teoria da aparência”.

 

Hegel emprega o termo em sua fenomenologia do espírito para designar aquilo que denomina de “ciência da experiência da consciência”.
A fenomenologia, como corrente filosófica fundada por Husserl, visava estabelecer um método de fundamentação de ciência e de constituição da filosofia como ciência rigorosa. O projeto fenomenológico se define como uma “volta às coisas mesmas”, isto é, coisas que se atingem pelos fenômenos, que aparecem à consciência e que se dão como seu objeto intencional.

 

O conceito de intencionalidade ocupa, assim, um lugar fundamental na fenomenologia e na neurociência que estudamos hoje. Define a própria consciência como intencional e voltada ao mundo: “toda consciência é a Consciência de alguma coisa”, afirmou Husserl.

 

Então a fenomenologia é fundamentalmente um princípio metodológico, derivado das idéias de Husserl e definido por Jaspers como: “a fenomenologia tem a missão de nos apresentar intuitivamente os estados psíquicos, que realmente experimentam os enfermos, de considerá-los segundo as suas condições de afinidade, de delimitá-los e de distingui-los o mais exatamente possível e de aplicar-lhes termos precisos”. 
O método recomendado por Jaspers é pela via pura-mente introspectiva. Ao propor esse enfoque para as enfermidades mentais, demonstrou maior interesse para a compreensão das relações significativas do indivíduo mentalmente enfermo com o mundo do que com as causas.

 

Experiências “anormais”, informadas pelo paciente e observadas em seu comportamento, e a diferencia das psicopatologias explicativas, em que existem supostas explicações, de acordo com conceitos teóricos a partir de uma base psicodinâmica, comportamental ou
existencial e assim por diante é o interesse da neurociência como fundamento cientifico da relação mente-corpo. A base da medicina integrada.
Apresenta-se ai a neurofenomenologia. Uma comparação entre a abordagem das emoções feita por Antonio Damásio e Sartre que procura identificar em que sentido a neurofenomenologia pode tornar convergentes a neurociência e a fenomenologia. 
A fusão entre pesquisas em neurociência cognitiva e a teoria da equivalência de estímulos tal como é apresentada nas teorias de Sidman e Tailby, reforçando a idéia de uma continuidade entre ciência cognitiva e behaviorismo radical. 
A aproximação entre fenomenologia, cognição e neurociência foi incentivada pelos resultados obtidos por Luria (1981) e outros neurologistas em pacientes com desordens cerebrais. A evolução de trabalhos em neurociência incluiu avaliações através de estudos com funcional Magnetic Resonance Imaging (fMRI), Positron Emission Tomography (PET), e Magnetic Encephelography (MEG), viabilizando a representação das correlações entre atividade neural e experiência consciente.
É de comum acordo que o compartilhar de informações no campo fenomenológico e cientistas tem permitido um refinamento importante para a teorização em neurofenomenologia. A era da dicotomia está sendo superada pelo trabalho conjunto entre filósofos e cientistas. 

 

O neurocientista italiano Vittorio Gallese e o filósofo alemão Thomas Metzinger escreveram recentemente um artigo intitulado Motor ontology: The representational reality of goals, actions and selves (Gallese & Metzinger, 2003). Os autores, baseados em resultados neurocientíficos, mostraram como o sistema motor contribui e participa da experiência consciente, e da emergência da primeira pessoa. Para eles, “o sistema motor constrói objetivos, ações e selves intencionais enquanto constituintes básicos do mundo que interpretam”. Na mesma direção, Clément e Malerstein (2003) articularam a análise filosófica com a psicologia do desenvolvimento para explicar a ontogênese da consciência, oferecendo uma descrição empírica para o desenvolvimento da intencionalidade nos primeiros meses de vida. Intencionalidade refere-se ao direcionamento da consciência, como resume a frase tão popular entre nós: consciência é sempre consciência de alguma coisa.

 

Os avanços nas pesquisas sobre volição representados nos trabalhos do neurocientista cognitivo Jing Zhu, da Academia Chinesa de Ciências tem como inicio a argumentação em favor do resgate do conceito de volição, apoiando-se no célebre artigo de Hilgard (1980), intitulado A trilogia da mente: Cognição, afeição e conação
Volição é definida como um processo executivo mental que faz a intermediação e a ligação entre as deliberações, as decisões, e os movimentos corporais voluntários (Zhu, 2004a). A definição dá conta tanto do entendimento clássico – volição como processo iniciador da ação; quanto do entendimento contemporâneo – volição como controle executivo essencial da ação na implementação da intencionalidade. A ação é descrita como um movimento precedido pelo pensamento, em combinações apropriadas de crenças e desejos, intenções ou razões. Searle (2001) dividiu as relações entre pensamento e ação em três partes: razões para decisão; decisão para ação, e execução da ação. O problema, segundo o autor, são as falhas entre as partes: 
Tanto quanto informa nossa experiência consciente, as falhas ocorrem quando crenças, desejos e outras razões não são experienciadas como condições causais suficientes para a decisão (a formação a priori da intenção); quando a intenção a priori não coloca a condição causal suficiente para a ação; e quando a iniciação do projeto da intenção não coloca condições suficientes para a continuação ou finalização da ação.

 

 

Note-se que na perspectiva de primeira pessoa a falha pode ou não se apresentar como uma fonte de insatisfação experiencial (estar feliz ou infeliz com o que se fez), o mesmo ocorrendo com a perspectiva de terceira pessoa (estar feliz ou infeliz com o que o outro fez). A situação poderia ser amenizada se compartilhada na perspectiva de segunda pessoa (intersubjetividade), compartilhamento da falha: todos somos incapazes de atender as exigências dos nossos desejos. A breve digressão é apenas para mostrar o encontro entre a gnose (sujeito cognoscitivo) e o éthos (a perspectiva do grupo), ou as relações da psicologia como ciência básica (processos básicos, psicopatologia, cognição social) e como aplicação (psicoterapia, educação, comunidades, hospitais, ambiente, etc.). 
É possível perceber que existem pacientes com lesões cerebrais que são capazes de fazer julgamentos morais, mas se mostram incapazes de seguir regras morais. Por sua vez, Greenspan propôs critérios para a avaliação e responsabilização de comportamentos tidos como sociopatas, com base em análise de casos clínicos. Há diferenças entre sociopatias decorrentes de maltratos na primeira infância, e de deficiências congênitas como lesões cerebrais ou problemas neuroquímicos. Tais condições devem ser tratadas diferenciadamente do ponto de vista da responsabilidade ética e legal. 

 

 

De interesse, é ressaltar a importância da pesquisa psicológica para as discussões filosóficas contemporâneas com relação à ética (comportamento).
Penso que nem todas as ações voluntárias envolvem volições, mas volições não-conscientes são implausíveis:
Há estados mentais inconscientes ou processos envolvidos na produção e controle da ação do agente, das quais o agente não tem acesso consciente ou não está ciente, mesmo assim, é inapropriado do ponto de vista conceptual a aplicação do termo volições não-conscientes, pois diminuem e empobrecem o vocabulário filosófico e científico. (Zhu, 2004b, p. 317)

 

 

Estudos científicos da volição e do desejo, com base em achados das neurociências, evidenciam a correlação entre processos mentais e processos cerebrais. Funções e processos mentais superiores tais como consciência, atenção e controle motor voluntário distribuem-se e interagem com várias regiões cerebrais, sugerindo que os processos psicológicos são globais e integrados. 
A volição está associada ao córtex cingulado anterior (massa cinzenta localizada na margem medial do hemisfério cerebral). O córtex cingulado anterior participa dos processos de tomada de decisão, das emoções e da regulação dos batimentos cardíacos. É também responsável em tornar memórias novas em memórias permanentes. O córtex cingulado anterior contém um tipo de células nervosas (spindle neurons) só encontradas em grandes primatas e humanos (Gehring & Knight, 2000; Posner & Rothbart, 1998). Para Zhu (2004a, 2004b), as considerações funcionais, fenomenológicas, e neurobiológicas sugerem que a unificação do conceito de volição é viável e consistente.

 

 

A controvérsia mais proeminente é sobre a abordagem de primeira pessoa. Pergunta-se, então, a experiência consciente e a representação são conceitos ontológicos cientificamente justificados? Chalmers (1997) acha que sim, mas Dennett (1991) acha que não. Com Chalmers estão vários filósofos entre os quais Varella, Nagel, Searle, Fodor, Levine, Pinker, e Harnad. Com Dennett (1991) estão Quine, Rorty, Hofstadter, os Churchlands, Andy Clark, Lycan, Rosenthal, e Harman. Chegaremos a algum consenso ou continuaremos com as discussões por tempo indeterminado? Só o futuro dirá.

 

 

O diálogo com as primeiras relações entre psicologia e filosofia rompe com a ingenuidade do psicólogo, desenvolvendo o pensamento crítico para a análise das relações entre ontologia (o que é), epistemologia (como se justifica) e ética (para que serve), em uma dada teoria. Como resultado, fica-se atento para as relações intrínsecas entre os enunciados ontológicos e éticos – a conhecida ambigüidade entre fatos e valores, ou seja, a transformação de fatos em valores e de valores em fatos. É ainda uma maneira interessante de se iniciar no estudo das bases gerais da teorização em psicologia.

 

 

O diálogo com a filosofia da ciência traz um domínio importante de termos básicos que atravessam todas as nossas pesquisas e idéias: empirismo, racionalismo, idealismo, ambientalismo, nativismo, solipsismo, objetividade, subjetividade, funcionalismo, compreensivismo, e naturalismo. 

 

 

Contudo, a contribuição mais marcante é o desenvolvimento da capacidade para planejamento, execução e análise de dados de pesquisa. A filosofia da ciência contribui para a crítica de métodos e para o cuidado com as interpretações. No entanto, a literatura sobre filosofia da ciência e epistemologia não substitui a literatura sobre história e teoria psicológica. Esses conhecimentos devem ser examinados em conjunto.

 

O diálogo com a psicologia filosófica traz uma visão ampla e abrangente de uma epistemologia naturalista capaz de incorporar contribuições de diferentes campos do conhecimento, como a fenomenologia e a neurofisiologia. Temas que obtiveram grandes espaços na agenda epistemológica do século XX, como o pós-modernismo, o feminismo, e a sócio-história continuam presentes, mas em menor número de publicações. O crescimento da literatura em psicologia filosófica é facilmente demonstrável pelo aumento do número de publicações
Dentro da literatura psicológica acerca do campo da percepção, um dos principais (e mais antigos) sistemas explanatórios é o chamado sistema do momento psicológico temporal (Fraisse, 1978). A idéia de um momento psicológico refere-se ao conceito de specious present , ou momento presente, formulado por E.R. Clay e difundido por W. James (James, 1890). Modernamente, fala-se acerca da duração do processamento de informações como um elemento central da consciência, com grande ênfase na temporalidade dos processos cognitivos (Haase et al. , 1997); nesse sentido, o trabalho de Pöppel vêm contribuindo para um modelo de organização temporalmente descontínua da atividade consciente, herdeiro dos modelos de James (1963 [1890]) e Wundt (1998 [1896]), que compreende dois mecanismos oscilatórios, organizados hierarquicamente, de alta e baixa freqüência. 

 

O problema da consciência do tempo, portanto, pode ser invertido no problema do tempo da consciência.

 

O problema aqui encontra-se na imprecisão da consciência em termos temporais. A idéia de “momento presente”, como é encontrada em Clay (1882, apud James, 1890/19xx) e utilizada por Husserl, implica em uma duração flexível, movida a todo o momento pela retenção e pela protensão. Husserl afirma que, se olharmos para a estrutura da consciência sem vieses, a observaremos como dispersa no tempo. A consciência vive no passado e no futuro tanto quanto no presente – a retenção e a protensão são aspectos dessa estrutura dispersa (Durgin e Sternberg, 2002) 
Se acompanharmos Koortoms (2002), podemos afirmar que existem pelo menos três tentativas diferentes e conflitantes de explicar a consciência do tempo nas obras de Husserl: uma região dos objetos temporais transcendentes, uma região dos atos intencionais, e uma região da experiência de unidade do ato intencional: 
“Da mesma forma que [na fenomenologia] é necessário distinguir-se entre a dimensão constituída dos objetos transcendentais e a dimensão constituinte que permite que esses se apresentem, também devemos distinguir entre a dimensão constituída em que os atos existem e a dimensão constituinte que permite que esses se apresentem.” (Zahavi, 2004: 
Se acompanharmos a revisão histórica de Posner (2005), o século XIX e a primeira metade do século XX foram marcados, nos estudos acerca do sistema nervoso humano, pela medida de tempos de reação em tarefas cognitivas simples. De fato, ainda hoje essas medidas são extremamente importantes na área da psicopatologia. 

 

A concepção de “associação original”, entretanto, foi essencial para a problematização husserliana da experiência do tempo. Encontramos ecos de Husserl na afirmação de que a temporalidade da consciência e a consciência da temporalidade fazem parte de um mesmo processo.

 

 Pode-se evitar, dentro de uma perspectiva “neurofenomenológica” (Petitot et al., 1999), ou mesmo dentro de uma perspectiva neurofilosófica tradicional (Churchland, 1986), o “regresso infinito” de Husserl recorrendo-se tanto à perspectiva deste (assumindo que o que importa de fato é a ligação entre os diversos “níveis” ou “campos” da consciência interna do tempo) quanto à perspectiva de Pöppel (assumindo que o “pano de fundo” da experiência da temporalidade é um processo oscilatório comum). Não é preciso ir além, postulando-se primitivos para a experiência de temporalidade em instâncias cada vez mais básicas da consciência. 

 

Uma conseqüência do modelo de Pöppel para a análise fenomenológica (e mesmo para um resgate de Brentano) encontra-se na necessidade de retirar-se o foco da questão da experiência da duração para compreender-se a experiência de temporalidade como um todo contínuo que engloba não-simultaneidade, ordem, passado e presente e mudança. A análise husserliana e brentaniana do “momento presente” englobou a experiência da duração e a experiência do passado e do presente, mas ignorou os outros elementos que, como Pöppel demonstrou, estão encadeados de forma hierárquica na experiência subjetiva do tempo.

 

Os dados experimentais na área da temporização de intervalos demonstram que nem sempre duração subjetiva coincide com a duração objetiva. De fato, uma série de transformações da duração objetiva, dependentes de diversos fatores – organização dos elementos no espaço e no tempo, modalidade do estímulo a ser temporizado, trata-se de uma duração “cheia” ou “vazia”, além de condições farmacológicas e fisiopatológicas -, irão produzir “distorções” na percepção temporal, incluindo aqui a famosa “lei de Weber” aplicada a temporização de intervalos.

 

É possível concluir e afirmar que através dos levantamentos nesse esboço, alguns fatos relevantes tanto para o projeto fenomenológico quanto para o desenvolvimento futuro da filosofia da mente que, no compartilhar desses campos das áreas psi ganhar-se-ia bastante em resgatar determinadas leituras clássicas, para uma evolução contemporânea, acertada e completamente prática em nossos consultórios e assim não recorrer na invenção da roda. 

 

 

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