Neuroimagem do Transtorno de Humor Bipolar: Aplicações Clínicas

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  • Principais tópicos
    A neuroimagem química, estrutural e funcional como uma ferramenta à disposição de profissionais da área Psi e correlatas: limitações e resultados no tratamento de Transtorno de Humor Bipolar (THB);
  • Investigação do THB por meio das técnicas convencionais de imagenologia cerebral;
  • A inserção da neuroimagem onde tradicionalmente a fala e a linguagem, além dos psicofármacos, são elementos dominantes e centrais;
  • Mudanças na prática da clínica psicopatológica em pacientes diagnosticados como bipolares a partir da neuroimagem;
  • A resistência dos profissionais da área de psicopatologia como possível obstáculo para o estabelecimento de um novo protocolo que inclua a neuroimagem como suporte para indicações terapêuticas;
  • Considerar a aplicabilidade da neuroimagem nos diagnósticos de psicopatologias, levando em conta as limitações dos métodos.

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*Marco Antonio Marchioli Lopes é Pós-Graduando em Psicopatologia pelo NAIPPE/USP – Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP); Doutor em Neurociências pela Michigan State University (EUA); Neuropsiquiatra pela Università Degli Studi di Milano – Bicocca (Itália); Médico colaborador do Neuroimaging Research and Cognitive Therapy for Bipolar Depression Center do Strong Memorial Hospital – Rochester (EUA); Neuroscopista convidado do Hospital Sírio Libanês, São Paulo (BR); Membro da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC).

 

Resumo


O Transtorno do Humor Bipolar (THB) caracteriza-se por alternâncias do humor no indivíduo, que transitam entre períodos maníacos/hipomaníacos, estados de euforia à depressão leve, moderada e grave, resultando em prejuízos significativos no âmbito biopsicossocial. Associa-se a uma morbidade significativa em termos de risco de abuso de drogas, suicídio, hospitalização psiquiátrica e perda da produtividade (Pliszka, 2004; DSM-IV).
Nos últimos cinco anos o THB tornou-se alvo de grande interesse em decorrência à superexposição do tema nos meios de comunicação, o que lhe conferiu maior notoriedade resultando numa demanda de público desejoso por esclarecimentos e informações precisas. É fato recorrente que, ao identificar-se com os sintomas da patologia, o indivíduo se veja diante de uma atração irresistível pelo quadro sindrômico da mesma. Surge, então, a necessidade de “ter um nome” para aquilo que o perturba ou que aflige algum membro familiar. Além disso, a presença de sujeitos que foram excluídos de seu convívio social por apresentar características atípicas, melancólicas, catatônicas e intolerantes (quadro indicativo do portador de THB), também contribuiu para o descortinamento de outros casos.
Esta revisão aborda recentes avanços das pesquisas sobre o THB, postulando uma ampliação do repertório clínico-terapêutico que inclua a neuroimagem como um instrumento e agente de potencial utilidade na investigação desta psicopatologia. O objetivo é instigar o corpo clínico da área Psi a fazer uso de ferramentas tradicionais de investigação neurológica (no caso, a neuroimagem), desencadeando uma práxis acrescida de informações complementares para embasar o diagnóstico da disfunção; além disso, colaborar no efetivo aprimoramento terapêutico para o quadro de pacientes portadores de THB. Alguns estudos foram revisitados a fim de corroborar a proposição de que é possível identificar quadros como mania, hipomania, estados mistos, depressão bipolar e ciclagem rápida, desde a infância até a idade adulta, baseando-se em elementos fornecidos pela neuroimagem.
À luz da neuropsicobiologia, o autor focaliza a importância da neuroimagem como subsídio ao diagnóstico e sua integração ao tratamento com psicofármacos, além da sua influência terapêutica de acordo com a visibilidade orgânica e estrutural, a atividade bioquímica e as variáveis psicológicas do inconsciente.
Advém de tal proposta uma discussão prática nas áreas envolvidas (psiquiátrica, psicológica e psicanalítica), sem prejuízo de eliminar os referenciais de cada uma, destacando o propósito de interrelacioná-las e identificar um ponto de convergência onde a neuroimagem poder-se-á considerar inclusa no protocolo clínico do diagnóstico do THB.

 

Marco Antonio Marchioli Lopes, M.D, Ph,D.

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